Quando o Gran Circo de Espanha chegou à cidade, foi um alvoroço só; todos foram ver os caminhões lotados de objetos, de animais e de pessoas, sem contar com todas as engrenagens necessárias para a montagem do Circo.
Havia algum tempo que nada de interessante acontecia naquela cidade, a não ser alguma festa de época, ou alguma solenidade local.
Carlos também, tomado pela curiosidade, foi se aproximando daquele local, onde, dentro de poucos dias o circo seria montado.
Passados alguns dias, finalmente chegou a hora tão esperada por todos para o início das apresentações.
Carlos entrou na fila, e com muito entusiasmo, comprou o seu bilhete de entrada e logo em seguida estava sentado na arquibancada, ansioso pelo início do espetáculo. Mal sabia ele, que em poucos dias
sua vida daria um giro de 360 graus.
E assim foi; todos os finais de semana, Carlos tomava o seu lugar na arquibancada, para assistir, estusiasmado, a mais um espetáculo.
Mas, eis que o apresentador pede a palavra e apresenta uma nova atração, recém contratada pelo Gran Circo de Espanha:
- E agora, Senhoras e Senhores, temos a grande satisfação de apresentar, diretamente da cidade de Madri, na Espanha, a cantora e bailarina Esmeralda, que com sua graça e encantamento, vem arrebatando platéias por esse mundo afora.
E então, eis que surge aquela figura de mulher; olhos e cabelos negros como a noite e os lábios de uma beleza nunca vista antes por Carlos e por quem ali estivesse.
Esmeralda, ao mesmo que em que cantava e dançava no palco, dedilhava com maestria as castanholas que trazia em suas mãos macias e delicadas.
Carlos ficou encantado com aquela mulher, que parecia flutuar sobre o palco, ao mesmo em que sua voz melodiosa deixava todos completamente extasiados...
segunda-feira, 20 de julho de 2009
A Espanhola
Assinar:
Postar comentários (Atom)
E assim o os dias iam passando, e a cada espetáculo Carlos lá estava, sentado na arquibancada, cada vez mais encantado com a beleza de Esmeralda. Sentava-se muito próximo do palco, e um dia o seu olhar cruzou com o de Esmeralda, e ela lhe lançou um sorriso que o deixou ainda mais fascinado.
ResponderExcluirAo final da apresentação, Carlos já nem permanecia no circo, pois o que lhe interessava de fato, era mesmo Esmeralda; então ele ia embora, com o pensamento sempre voltado para àquela que já não saía do seu pensamento dia e noite.
Certo dia Carlos precisou ausentar-se da cidade, e teve de viajar a uma outra cidade, por motivos profissionais, permanecendo afastado por volta de 15 dias.
Durante esse período, aquele sentimento que ele nutria por Esmeralda tornou-se cada vez mais consistente e ele já não podia mais viver daquela maneira.
Estávamos em pleno inverno, mês de agosto, e fazia um frio muito intenso. Era dia de espetáculo, e Carlos havia tomado uma decisão definitiva; precisa se declarar àquela mulher e dizer a ela de todo o seu amor e que não podia mais viver longe dela.
Então, resoluto, tomou o caminho que o levava ao circo. Porém ao chegar no local, seu coração quase parou, pois não queria acreditar no que via, aliás, no que não via, pois na verdade o circo havia partido há três dias e o largo estava vazio.Desesperado, Carlos perguntou a todos a quem encontrava pela rua, se sabiam para aonde havia ido o circo, mas,infelizmente, ninguém soube responder a ele.
Ainda mais desesperado Carlos resolveu voltar para sua casa, e lá permaneceu durante toda aquela noite, sem conseguir dormir um minuto sequer. Ele chorava e se lamentava pela falta de sorte que teve.
- Meu Deus! – E agora o que será de mim; não poderei viver sem a mulher que amo desesperadamente...
- Preciso descobrir para onde foi o circo, caso contrário vou enlouquecer.
ResponderExcluirCarlos estava muito cansado pela noite mal-dormida que teve, e resolveu que naquele dia não iria trabalhar, pois já era alta madruga e ele continuava acordado. Então resolveu tomar um tranqüilizante e dormiu praticamente o dia todo, só despertando, ainda meio atordoado, em torno das 20hs daquele dia.
O tempo ia passando, e Carlos cada vez mais se sentia desanimado e sem vontade de viver. Seus colegas de trabalho e seus amigos já não sabiam mais o que fazer a esse respeito.
Certo dia, Carlos estava assistindo a TV com antena parabólica, quando de repente teve um sobressalto; num dos intervalos do programa que assistia, ele viu um anúncio de um circo que estava instalado na cidade de Ribeirão Preto, no Estado de São Paulo. Porém, não era um circo qualquer, ou seja, era nada mais nada menos do que o Gran Circo de Espanha que havia poucos dias estava naquela cidade.
Carlos não quis acreditar no que acabara de assistir, e ficou ali paralisado, sem saber o que fazer com tamanha surpresa.
Lembrou de repente que tinha férias atrasadas para gozar, e então tomou a decisão de solicitar junto à sua Empresa para que fosse liberado, com o intuito de viajar até a cidade de Ribeirão Preto ao encontro daquela que tomava conta do seu pensamento.
Dois dias depois ele estava desembarcando no aeroporto da cidade e logo foi em busca de um hotel onde pudesse ficar alojado. Procurou pelos jornais locais e logo encontrou o que queria; numa página qualquer estava registrada a propaganda do circo e muito mais do que isso: entre as atrações principais estava ela, Esmeralda, mais linda do que nunca.
Carlos não pensou duas vezes; recortou a folha do jornal e em seguida tomou o rumo do endereço que estava escrito. Quando chegou ao local indicado, o espetáculo já estava quase iniciando.
Carlos entrou no circo com o coração descompassado pela emoção e tomou seu lugar na arquibancada. As atrações iam se sucedendo e já estavam se encaminhado para o final do espetáculo e nada de Esmerada aparecer. Carlos começou a ficar preocupado, e de fato sua preocupação tinha sentido de ser, pois o espetáculo havia terminado e a sua amada não tinha aparecido.
Tomado pela dúvida, ele resolveu ir ao encontro de um dos participantes do circo e perguntou por Esmeralda; a resposta que recebeu foi que ela estava doente e impossibilitada de trabalhar.
Carlos então quis saber mais e ficou sabendo que ela estava internada no hospital da cidade, onde havia sido constatado que estava com uma doença muita rara e precisa de cuidados especiais.
Imediatamente Carlos foi ao hospital, na intenção de fazer uma visita para Esmeralda; o que de fato conseguiu. Ele entrou no quarto a viu adormecida por efeitos dos remédios que os médicos lhe haviam receitado. Permaneceu ali, estático, mudo e com o coração apertado.
Em seguida o médico plantonista adentrou ao quarto; então Carlos perguntou-lhe qual a real situação de saúde de Esmeralda; ao que o médico respondeu:
- Infelizmente, meu amigo, a situação não é das melhores; ela contraiu uma doença rara e estamos com muitas dificuldades de reverter o quadro. Acreditamos que ela deva ter contraído essa doença em alguma cidade da América Central, quando o circo fazia uma tournê por aquele país.
ResponderExcluirCarlos saiu arrasado daquele hospital; não queria acreditar nas palavras que acabara de ouvir. Voltou ao hotel em que estava hospedado e ali ficou, tristonho e cabisbaixo.
No dia seguinte retornou ao hospital e as notícias que recebera a respeito do estado de saúde de Esmeralda foram as piores possíveis. Os médicos já não tinham mais esperanças a respeito daquele caso.
Só estavam esperando pelo final dos acontecimentos; o que estivera ao alcance da medicina havia sido feito. Agora, somente um milagre poderia salvar a vida de Esmeralda.
Carlos ao ouvir essas notícias, saiu desesperado e entrou no primeiro bar que encontrou pelo caminho de volta. Então bebeu, bebeu... até perder a noção de onde estava e o que estava fazendo naquele lugar.
Ele foi jogado para fora do bar aos empurrões e caiu na calçada, ficando ali estirado, até que a polícia local viesse e o levasse para a delegacia, onde permaneceu durante toda aquela noite.
Ao acordar no dia seguinte, sua cabeça parecia que ia estourar de tanta dor, causada pela bebedeira do dia anterior. Aos poucos foi retornando ao seu estado normal e foi liberado, retornando ao hotel com muita dificuldade.
No dia seguinte, novamente lá estava ele no hospital em busca de notícias da sua amada. Ao chegar no quarto logo percebeu que a cama de Esmeralda estava vazia. Imediatamente perguntou aos pacientes que ali estavam pelo paradeiro de Esmeralda, e entrou em estado de choque com a notícia que recebera:
- Olha Sr., infelizmente a coitadinha não resistiu a tanto sofrimento e acabou falecendo nessa madruga.
Carlos sentiu tudo rodar à sua volta, e somente acordou na enfermaria do hospital, visto que havia sofrido um desmaio e estava sendo medicado pelas enfermeiras de plantão...
Carlos despertou e lhe pareceu que acordara de um pesadelo. Não sabia ao certo se era verdade tudo o que tinha acontecido naquele curto espaço de tempo em que esteve no hospital. Aos poucos foi recobrando a lucidez e relembrando de tudo o que aconteceu com Esmeralda. O médico de plantou o liberou e ele saiu daquele hospital completamente arrasado.
ResponderExcluirNo dia seguinte retornou à sua cidade e foi direto para sua casa. O vulto de Esmeralda não o abandonava um minuto sequer, e Carlos já não era a mesma pessoa.Depois do acontecido, tornara-se solitário. Abandonou o emprego e vivia completamene alheio a tudo e a todos.Seus parentes e amigos tudo fizeram para tentar recuperá-lo, mas foi tudo em vão. Ele não tinha mais vontade de fazer nada de útil na vida.Aos poucos foi-se tornando uma pessoa à margem da sociedade, e nada nem ninguém o fazia mudar de comportamento.
De um homem respeitado e querido por todos os seus amigos e parentes, acabou de uma maneira incrivelmente triste. Diariamente era visto pela rua, completamente sujo e maltrapilho; estava irreconhecível.Já não era nem sombra daquele Carlos que outrora fora um rapaz alegre e comunicativo.
Certo dia, numa fria de inverno, encontram um homem caído numa calçada.E logo em seguida as pessoas começaram a se aproximar, curiosas para ver de quem se tratava.
Um Sr. que ia passando por aquele local, movido pela curiosidade, também parou e foi ver o que que estava acontecendo. Ao olhar para aquele homem que tinha acabado de morrer, não pode conter o espanto e exclamou em voz alta:
- Meu Deus! - Mas é o Carlos, meu ex-colega de trabalho. Não pode ser verdade, devo estar enganado.
Mas infelizmente, aquele Sr. estava absolutgamente certo. Carlos havia sofrido um forte ataque cardíaco e morrera ali mesmo; sem ninguém para socorrê-lo.
E assim acaba essa triste história; se alguém tem conhecimento de algo semelhante na vida real, há de saber que, por mais que deixemos de acreditar, isso de fato pode acontecer quando menos esperamos.
A vida nos ensina grande lições; e a história de Carlos é um grande exemplo do qual não podemos duvidar jamais.
Final.